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Internacional
Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social
Sábado, 2 de Janeiro de 2010
- 23h30
O ano de 2010 que começou ontem vai ser consagrado à Luta Contra a Pobreza e
a Exclusão Social no espaço europeu. Bruxelas vai disponibilizar perto de 17
milhões de euros, um orçamento que será complementado a nível interno com o
financiamento próprio dos Estados-Membros. O presidente em Portugal da Rede
Europeia Anti-Pobreza, Jardim Moreira, revelou à rádio TSF que Portugal gastará
700 mil euros para colocar o tema na agenda.
Para colocar na ordem do dia a pobreza, Portugal gastará em 2010 mais de 700 mil
euros e as autoridades prometem mobilizar a sociedade civil para o seu combate.
Num país em que se estima que haja dois milhões de pobres, o presidente da Rede
Europeia Anti-Pobreza em Portugal admite que a ajuda do Estado pode
justificar-se nesta altura de crise mais profunda. No entanto, para Jardim
Moreira, esse não é o caminho para resolver o problema de fundo.
“Mais soluções que possamos ter, pelo menos por causa da crise vigente. A
erradicação da pobreza vai ser um fenómeno muito difícil de atingir. Precisamos
de mudar a mentalidade e a actividade da sociedade em geral, de pôr as pessoas
em primeiro lugar nas preocupações sociais, políticas e económicas”, explicou à
TSF.
O padre Jardim Moreira estabelece também aquelas que considera que deverão ser
as prioridades no ataque à pobreza e à exclusão social em Portugal, sublinhando
que se deve promover o diálogo o mais possível com a sociedade civil para que,
com proximidade, se “possa ir ao encontro de soluções para os problemas que
atingem particularmente as famílias mais pobres e as famílias com crianças”.
Há três meses, o inquérito Eurobarómetro revelava que 62 por cento dos
portugueses diziam ter alguma dificuldade em viver com o rendimento doméstico
mensal, enquanto 15 por cento consideravam ser difícil. Por outro lado, o
inquérito europeu refere que em Portugal 88 por cento dos inquiridos consideram
que a pobreza é um problema internacional.
Em números gerais, já sem avaliação por país, o estudo mostra que nove em cada
dez europeus (87 por cento) crêem que a pobreza é um obstáculo ao acesso a uma
habitação condigna, oito em cada dez acham que limita o acesso ao ensino
superior ou a educação de adultos e 74 por cento consideram que reduz as
possibilidades de encontrar um emprego.
A maioria dos europeus (60 por cento) acredita que afecta também o acesso a um
ensino básico de qualidade e 54 por cento pensam que a capacidade de manter uma
rede de amigos e conhecidos é limitada. Em média, nove em cada dez (89 por
cento) europeus afirmam ser necessária e urgente a acção dos governos nacionais
contra a pobreza.
O presidente da Rede Anti-Pobreza em Portugal explica que, a nível político, “é
necessário perceber que não basta ter um emprego porque grande parte dos nossos
pobres têm um emprego mas têm um vencimento tão baixo e tão inseguro que não
permite criar condições para as famílias poderem aliviar as suas necessidades e
a sua qualidade de vida”.
Jardim Moreira afirma que não tem ilusões quanto ao balanço final que poderá ser
feito quando 2010 terminar. O responsável pela rede contra a pobreza considera
que seria muito pouco realista “esperar uma espécie de milagre” e alerta para o
perigo da “subsidodependência” para o país.
Com
TSF
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